Não é quem chegou primeiro, é que vai mais longe: Bel Coelho está (re)descobrindo o Brasil, uma fatia por vez. A chef paulistana à frente do Clandestino aprendeu na cozinha o que a gente decora na sala — de aula. Geografia, história e literatura têm gostos e cores que não cabem no binômio verde-e-amarelo do país. Desde que foi eleita chef revelação, aos 25 anos, em 2005, a moça deveras autocrítica tem botado a mão na massa (literalmente) para se tornar uma pessoa e uma profissional melhor — e a gente pode testemunhar essa evolução de perto, no programa Receita de Viagem, exibido no canal TLC. Madura e materna, a cozinha de Bel é para prato fundo e pressa rasa, porque o fogo (ora alto, ora brando — nunca extinto) pede tempo para fazer seu trabalho santo: unir em solda, convertendo-nos todos — ingredientes, pessoas e sentimentos — num só prato; num só corpo, que deve ser servido (sempre) quente e apreciado sem um pingo de moderação.