Cruzando o arco-íris
A bordo de um navio batizado de Vasco da Gama, cerca de mil homens gays viajaram em um cruzeiro pelas ilhas gregas. As fotos a seguir são uma homenagem ao amor e à liberdade de expressá-lo.
Manuela Stelzer
Quando recebeu o convite pra fotografar um cruzeiro gay de dez dias pelas ilhas gregas, o fotógrafo Pedro Braga se empolgou. Embora estivesse acostumado a frequentar espaços queer com os amigos, embarcar em um navio ocupado por cerca de mil homens — na maioria, alemães mais velhos —, colocou seu olhar à prova.
“Me bateu certo receio por ser um ‘outsider’”, conta. “Como fotografar aquele lugar, aquelas pessoas? Encontrar uma forma de lapidar aquele tesouro bruto virou minha obsessão.”
Inspirado pelo lendário fotógrafo britânico Martin Parr, que coincidentemente havia encontrado em Atenas poucos dias antes do embarque, em outubro de 2024, Pedro percorreu o navio atento a todos os detalhes. Mais do que figurinos de látex e concursos na piscina, o que registrou foi a vivacidade e a própria desconstrução sobre o significado da velhice.
“O universo gay não era novidade pra mim, mas encontrar tantos homens gays mais velhos, sim. O que mais me surpreendeu foi a juventude que existia dentro daquelas pessoas. Seus corpos correspondiam à passagem do tempo, mas a cabeça continuava jovem.”
No fim daqueles dias em alto mar, Pedro viu cartas, fotos e outras declarações de afeto que foram coladas nas portas dos quartos serem retiradas. “Tudo voltou para as caixas de recordações, em casas onde talvez eles não possam gritar que ali existe amor entre dois homens. Por isso, dedico essas imagens à liberdade e à paixão por ser quem se é.”